• Adriana Tanese Nogueira

ÓDIO: DE ONDE VEM E O QUE FAZER COM ELE?

Odiar? Coisa para os fracos.

Para amar, ao contrário, precisa de força. Muita força.

Don Tonio

Ódio: palavra que todo cristão abomina, mas que nem por isso deixar de conhecer no íntimo de seu coração, naquele lugar escondido que nem mesmo sua consciência acessa. Ódio, palavra temida, palavra desarmônica: palavra poderosa.

A etimologia do termo parece que vem da raiz indo-europeia vadh-, que virou uad-, e enfim od- e que se encontra no sanscrito avadhit significando golpear, ferir, de onde surgiu o grego ὠθέω (otheo) = rechaçar, chegando finalmente ao latim odium, que todos nós reconhecemos. Só por esta breve excursão pela origem da palavra, sabemos que o ato de odiar é uma experiência muito antiga da humanidade. Ódio significa essencialmente rechaço, rejeição, afastamento. É mais comum do que se gostaria sentir esse sentimento forte e persistente de intensa aversão, que leva a desejar o mal ou a ruína dos outros. Concluindo, podemos dizer que o ódio está ligado sempre a um sentimento de profunda hostilidade e antipatia.

Após épocas de civilidade e contenção, parece que o ódio se desvencilhou das correntes morais e invadiu a vida social neste nosso difícil 2020. Sem remorso, o ódio berra e xinga para todo o lado. Observando o fenômeno, notamos que o ódio está sempre acompanhado de baixo QI. Odiar não requer raciocínio, não exige razão alguma. Também não necessita de talentos especiais e muito menos de conhecimento. Odiar da forma como vemos hoje todos os dias pela televisão consiste no vomitar todo o desconforto, a raiva, a angústia da vida nos outros. Olhos faiscantes de ódio cego e destruidor levantam qualquer bandeira passada ou presente que lhe permitam manter o ódio, alimentar o ódio, espalhar ódio.

A inevitável pergunta de nós que observamos assustados e perplexos tamanha erupção fétida de enxofre é: por quê? De onde vem tanto ódio e por que existe?

Rejeitamos o outro em primeiro lugar por ser Outro. Outro no sentido de não-o-mesmo, não igual a nós ou reconduzível a qualquer coisa que conheçamos e, sobretudo, com a qual nos sentimos à vontade. O ser Outro do outro nos deixa desconfortáveis porque este outro carrega em si o desconhecido. E o desconhecido dá medo, certo? Não só, o desconhecido nos obriga a sair da zona de conforto e aprender, ampliar a mente, olhar para o além, fazer funcionar os neurônios, desafiar nossos hábitos e crenças. O Outro “cansa”, o Outro nos apavora.

Os judeus em tempos antiguíssimos inventaram o ritual do “bode expiatório”. Periodicamente realizavam uma cerimônia durante a qual o vilarejo se reunia em círculo em torno de um bode que era xingado de todas as formas com a intenção de que sobre ele se concentrassem os males da comunidade: tristezas, dor, decepções, cansaço, sofrimento, desapontamentos, e tudo o que mais. Palavras carregadas de todo o mal-estar acumulado eram lançadas sobre o pobre animal que, em seguida, era afastado da aldeia para que levasse consigo “o mal” do grupo.

Não tem melhor bode expiatório que o Outro. Nada melhor para se distrair de si próprio que ter um Outro para odiar.

No estilo de vida sofrido, porque desumano, que levamos, vivendo de aparências e em função do dinheiro que mal conseguimos aproveitar, sem tempo para estar em paz consigo, cada qual em seu canto acumula a raiva do viver longe do próprio equilíbrio. Comendo alimento poluído de agrotóxicos, carne impregnada de dor e adrenalina, frutas gigantescamente plastificadas, o corpo preso a uma cadeira ou na rotina extenuante de uma academia para adquirir uma forma e não o bem-estar natural, eis que o Ser (o ser do humano) sofre e a falta de audição de nossos egos transtornados produz espontaneamente ódio, assim como na água parada nascem espontaneamente mosquitos e bactérias. A mente alienada do corpo e o corpo sempre mais adoecido, ambas prontamente “socorridas” por indústrias farmacêuticas ansiosas por oferecer seus novos produtos: eis o terreno fértil para o ódio prosperar.

O que se odeia? Odeia-se a vida que se leva. Odeia-se quem se é. Odeia-se a própria incompetência em dar sentido à própria vida, em fazer o que é preciso para ser felizes. Odeia-se o fracasso como seres humanos pelas mentiras contadas, pela verdade ocultada, pelo coração sufocado.

O ódio existe na exata medida da infelicidade na qual vivemos. Odiar é fácil porque significa projetar no outro o que não gostamos de nós no lugar de olhar para dentro e fazer o trabalho de autoconhecimento que subverte toda moral estereotipada e todas as mentiras deslavadas – as muitas que falamos para nós mesmos.

Para superar o ódio é preciso se abrir e dói exatamente como num trabalho de parto sem anestesia. Abrir passagem para a nossa sombra vir à luz e para o novo entrar.

Odiar é para fracos. Somente um coração pequeno odeia. O grande, ama.

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional de Educação Psicológica e Espiritual (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

Photo byPeter ForsteronUnsplash




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