• Adriana Tanese Nogueira

A RESISTÊNCIA PSICOLÓGICA À MUDANÇA

Quantas vezes ouvimos dizer, “Ah, se eu pudesse mudaria tudo amanhã!”


E, entretanto, a verdade é que postergamos as mudanças. Embaçamos, adiamos, inventamos desculpas, imaginamos soluções paralelas que eliminam aquela necessidade de mudança que havíamos acabado de suspirar por acontecer.


Parece até que não nos sentimos prontos para o que tanto queremos. Desejamos, olhamos para o céu estrelado numa noite de lua cheia e lançamos para o universo o nosso desejo... e depois recuamos, disfarçadamente recuamos. Mudamos de assunto, nos distraímos e deixamos tudo do jeito que está!


Por quê?


Por que queremos tanto e não fazemos acontecer? Por que falamos e não realizamos? Por que o sonho se não conseguimos nos engajar para que ele aconteça?


Porque temos uma “resistência psicológica”. Freud identificou esse mecanismo. Algo em nós resiste, joga contra. E esse algo atua a nosso despeito, ou mesmo com a nossa sorrateira cumplicidade...


A resistência psicológica é um mecanismo psíquico cuja função é impedir a entrada de novos conteúdos na consciência, ou seja, uma espécie de muro entre você... e você, dentro de você. O você que está lendo esse texto é o você “normal”, o “oficial”, e este você não sabe do outro você que está atrás do muro. Agora, imagine que cada um desses “vocês” tem um projeto diferente... Já dá para entender que fica difícil de realizar qualquer coisa.


Por conta desse mecanismo psíquico, tanto nos sonhos (noturnos) como na vida do dia-a-dia, há coisas que “não tem permissão” de serem pensadas, sentidas ou mesmo reconhecidas. Quem dá essa permissão? Este é outro assunto, longo, que vamos deixar para outra hora, por enquanto vale saber que só entra quem tiver o passe. Quem não tiver, é censurado. Fica fora. Entretanto, na psique também existe o famoso “jeitinho”, logo esses conteúdos censurados entram disfarçados, camuflados de outras coisas, outras aparências. Por isso, por exemplo, nem sempre (quase nunca) o que aparece no sonho é o que aparece no sonho. Geralmente é outra coisa. E na vida diária muitas vezes acontece algo parecido: por exemplo, uma criança quer uma coisa, quer porque quer, quando na verdade quer outra – inominável.... Mas só esta vai acalmá-la e tranquilizá-la. O resto é paliativo.


O você do outro lado do muro é um você com raízes profundas em muitos mundos e realidades, um você desconhecido (que a propósito é muito interessante de conhecer!). Esse você inconsciente se manifesta via “indiretas”. Quando a resistência ocorre na vida diurna algo muito parecido se repete: temos dificuldade em enxergar o caminho para a mudança, mesmo quando está debaixo do nosso nariz. A resistência psicológica bloqueia nosso entendimento e, portanto, nossa ação. Por que? Porque quer “proteger” a consciência do que poderia assustá-la, apresentando-lhe novas possibilidades de ser...


O você consciente atua como cidadela circundada por altos muros que a protegem contra invasões. Quanto mais fortificada for, mas difícil será qualquer coisa entrar até o ponto de faltar comida, ou seja, alimento novo, ideias, experiências... São aquelas pessoas fechadas, presas a padrões antigos, que temem qualquer novidade. Pessoas que, inevitavelmente, são e transmitem sentimentos depressivos porque a vida parada é como água parada... dá doença.


O problema é que toda mudança implica uma morte. Mudar significa deixar algo para trás? Está pronto para isso? Já fez as contas com o passado? Sonhar com mudanças sem querer desagarrar do que impede mudar não funciona. Toda mudança real, não de fachada, de maquiagem, equivale a um fim. E todo fim é uma morte. Deixar o passado significa deixar o que somos e nesse processo abrir espaço para uma nova identidade que vai surgindo conforme a outra for morrendo. Importante: o novo não existe a priori, não é um aplicativo que você download. O novo surge na medida em que o antigo morre.


Ficou claro agora o porquê da “resistência à mudança”? A resistência não é à mudança, mas à morte que a mudança implica. É frequente de ver pessoas esclerosadas atrás de muralhas tão espessas e antigas que nelas sufocam e não sabem como sair. Será preciso de um verdadeiro terremoto. Terremoto que nós mesmos temos que fazer acontecer.


Destruir para criar. Sem dó, com determinação.


A resistência psicológica nos sufoca, paralisa a espontaneidade e impede o desabrochar do novo. Logo nos mata por dentro. Mas como mudar é difícil, muitas vezes é preciso que a dor chegue na temperatura certa para então a pessoa ganhar aquela bendita coragem que lhe dá a força para despedaçar as próprias limitações, arrancar os portões, escancarar as janelas e deixar entrar o ar fresco de uma nova primavera.



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional de Educação Psicológica e Espiritual (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash



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