• Adriana Tanese Nogueira

A VIOLÊNCIA CONTRA SI PRÓPRIOS

Em tempos de relações lubrificadas e politicamente corretas, ser si mesmos é visto muitas vezes como um ato de violência contra... o outro? Ou os preconceitos do outro?

Em minha prática de educação psicológica percebo que as pessoas oscilam entre dois tipos de violência: ou são violentas consigo mesmas em função de manter a relação com o outro, ou são violentas com o outro em função de ser “si mesmas”.

Violência significa violar – o que? Limites. O limite físico é o primeiro. Mas também o limite verbal e o emocional. No geral, violência corresponde a uma ação, a um ato. Entretanto, quero aqui amplificar o raciocínio para aquela forma de violação de limites que geralmente não vemos e que subestimamos: a violência que cometemos contra nós mesmos ao reprimir nossos desejos, necessidades, pensamentos e emoções. A esta violência corresponde a condenação social diante de atitudes que transgridam expectativas, desobedeçam a preconceitos e revolucionem rotinas.

O medo de criar oposição no outro, ou de ofendê-lo e gerar ruídos na relação leva a cometer violência contra si mesmos. E, inclusive, leva a acreditar que qualquer gesto, palavra, comportamento que não se encaixe nos esquemas sociais codificados (ou familiares ou até mesmo de casal) sejam um ato violento. Chegamos ao ponto em que a própria pessoa se julga violenta – porque assim foi treinada a considerar todo ato que contravenha o modelo adquirido de comportamento.

O contrário da violência contra si mesmos é a confiança em si mesmos e o respeito por si. Fica evidente que a violência que perpetramos contra nós é proporcional às vezes em que achando que estamos respeitando o outro, a “diversidade” do outro ou que estamos sendo “tolerantes”, nos desrespeitamos e, assim fazendo, nos prejudicamos. O prejuízo pode ser invisível no momento, podemos achar que “não é nada de mal”, que “passa”, que “somos fortes”, ou até mesmo que consentir com comportamentos e situações (ou seja, engolir sapos) é uma qualidade de pessoas moralmente superiores ou, como se diz hoje em dia, “espiritualizadas”. As consequências desse desaforo para conosco vão se acumulando dia após dia, ano após ano até se transforarem em sintomas, mal humor, depressão e, finalmente, denso silêncio.

Parafraseando as palavras do psiquiatra e psicólogo suíço C. G. Jung (1875-1961), o equilíbrio psíquico só ocorre de verdade quando à adaptação ao mundo externo, por exemplo tendo e conseguindo manter bons relacionamentos, se acompanha a adaptação ao mundo interno, por exemplo entendendo o que sentimos e dando ouvidos às nossas necessidades e intuições. O excesso de “adaptação” externa que podemos observar naquelas pessoas que aparentam estar sempre de bem, que têm amigos em todo canto porque se dão com qualquer um, que evitam conflitos e se acham tolerantes, resulta com demasiada frequência numa atitude interna de negação e repressão com fundo depressivo. A abertura emocional externa nessas condições só pode ser o resultado de muito disfarce ao ponto de chegar à hipocrisia e falsidade.

Dizia minha avó italiana Pasqua em seu sotaque de dialeto polignanese, “Eu também sou filha de Deus!” Deveríamos levar mais a sério essa afirmação: ela remete a nos darmos os mesmos direitos (e deveres, claro) que garantimos ao próximo. Significa contabilizar nossos mais profundos anseios, nossas intuições, sentimentos e necessidades interiores nas decisões que tomamos, nos comportamentos que adotamos e nas escolhas que fazemos. Cada uma delas.

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional Ser&Saber Consciente (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



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