• Adriana Tanese Nogueira

COVID19: ENTRE EGO E CORAÇÃO

Vivemos um momento verdadeiramente histórico. As gerações futuras irão olhar para nós e aprender com as nossas escolhas. É importante ter perspectiva histórica, sobretudo em momentos como estes que parecem tão pouco compreensíveis e confortáveis. Quais as escolhas que temos adiante?

Por um lado, assistimos a uma crise global, de saúde e econômica. Por outro, assistimos a reações surpreendentes de tantas pessoas. O que está acontecendo? Há quem negue o vírus, ou melhor, a seriedade dele. E até aqui, “tudo bem”. Mas não, ao negar a seriedade de uma doença para a qual não temos cura, também lutam contra as medidas tomadas para conter a doença. Aliás, se chega a agredir fisicamente aqueles na linha da frente que cuidam dos adoentados, as enfermeiras! Não sei se os bárbaros da baixa Idade Média chegaram a este ponto...

Como explicar essa raiva irracional e generalizada que se apodera de tantas pessoas que em foto de casamento e jantares parecem tão simpáticas, tão do bem e civilizada? Já transcendemos a política. Não há ideologia aqui. Não há times. Há tão somente uma espetacular brecha para que uma raiva profunda, radical e visceral, possa explodir na cara de quem for.

A nós que raciocinamos, e por isso nos espantamos, sobra observar e refletir. Fora as teorias da conspiração (que não descarto), ninguém, por enquanto, tem culpa de um vírus estar ameaçando a nossa vida diária. Ninguém quer morrer ou mesmo ficar doente. Ninguém quer perder um ente querido. Por que então enraivecer contra a realidade? Negá-la?



O medo se esconde nas entrelinhas desse comportamento. Um medo ele também profundo, visceral e radical. Raiva e medo são duas emoções (não sentimentos) associados. Temos raiva do que ameaça a nossa vida. A raiva surge do instinto de sobrevivência, quando algo atinge a nossa integridade. O medo é o outro lado da mesma situação. Há quem expressa o susto diante de algo como raiva – e vai ao ataque – e há quem o expressa como medo – e recua. Nesse caso, somos ameaçados por algo não humano, nem mesmo animal. Somos ameaçados por uma proteína (o vírus COVID19).

Por que lançar-se contra pessoas se o perigo vem de uma proteína que ninguém controla? Porque a pandemia e a pequena proteína são apenas uma oportunidade para fazer emergir um profundo mal-estar individual e, portanto, também social. É claro que essa revolta agressiva e constrangedora à qual assistimos nas notícias vem de um lugar mais antigo, vem de uma condição pré-existente o COVID19.

Vamos ser honestos: quem poderia se dizer realmente feliz antes do COVID19? Quanta coisas precisavam ser mudadas? Muitas, provavelmente, e a maioria delas nem sempre dependendo de nós – apesar dos cursos de motivação e dos condicionamentos mentais insistentemente martelando nos cérebros.

Ao olhar para a natureza, para sua recuperação sem a nossa presença, não podemos deixar de perceber uma certa alegria no ar, um regozijar-se. Ela parece estar respirando aliviada. Sem nós. Nós somos o distúrbio, nós somos o vírus, o COVID19 da Natureza. Animais e plantas estão felizes. E basta pouco, basta um pouco menos de nossa espaçosa e prepotente presença para as coisas ficarem bem. Mas o que é esse “nós” que perturba o equilíbrio do todo?

É o nosso ego, é a nossa mente: no plano individual.

É a nossa cultura egoísta, superficial, robótica, narcisista: no plano coletivo.

Há uma natureza interna que vive, floresce ou murcha, exatamente como aquela externa. Igualzinho. Assim como massacramos a natureza externa, esmagamos as outras formas de vida para o nosso proveito, torturamos animais e queimamos terras: assim fazemos com a nossa natureza interna. Esta é feita de sensibilidade, sutiliza, intuições, sentimentos, vínculos. CORAÇÃO. O coração é o símbolo do que une, do que vincula, do que cria redes significativas de valores.

O COVID 19 é um convite a rever nossos valores egóicos e a nos reequilibrarmos, como indivíduos e como sociedade. A sociedade não é uma entidade alienígena. É a somatória de cada um de nós. Façamos, portanto, a nossa parte. Seriamente.

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional Ser&Saber Consciente (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321


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