• Adriana Tanese Nogueira

DO FANATISMO DAS CERTEZAS PARA A IDADE DA RAZÃO

Era uma vez um tempo em que as Verdades, com V maiúscula, chegavam do alto. Às vezes era direto do alto dos céus, outras do alto de um lugar. E sempre, inexorável e necessariamente, vinham de fora.


Os indivíduos de “boa fé”, acatavam e seguiam ao máximo de suas forças o que as Verdades recomendavam e até exigiam. Aceitavam grandes sacrifícios, esqueciam de família e filhos, repetiam frases e slogans dos mais enfadonhos e absurdos para poder ser reconhecidos como fiéis seguidores das Verdades.


Uma Verdade que chega de fora é incontestável. Quem vai questioná-la? Só um louco ou um perdido porque a Verdade, além de fora, chega do alto. Daquele lugar superior, certeiro, por definição mais bonitos e divino do que nós aqui embaixo, nesse “baixo” cheio de poeira e problemas, de dúvidas... Ah, as dúvidas...


Quem não queria não ter dúvidas? Quem não queria não ter que escolher, que decidir? Quem já não se encontrou atazanado pela dúvida...? O que faço? O que é o melhor? E quais serão as consequências?


Viver com certezas que põe sossego no coração e na mente é o sonho dos que sentem o peso das decisões pessoais, o peso da vida que é complicada e cheia de armadilhas. Dúvidas sobre criação de filhos e dúvidas sobre o sentido da vida: têm dúvida para toda cabeça e todo estilo.

Uma vez que a Verdade vem de cima, eis que temos a garantia de sua validade. Há um Deus, há um mestre, há um guru, há um líder, um pastor que nos levará para o caminho da boa aventurança. A meta de todo humano é estar em paz consigo e com os demais.


Até o dia em que por alguma falha da personalidade ou brincadeira do destino percebemos uma quebra, uma rachadura. A certeza rachou. Do muro da Verdade vazou um irresistível olhar escrutinador que sacode o barco, cria ventania. Traz dúvidas: estou indo na direção certa? A Verdade é mesmo verdade?


Como jogar fora aquilo no qual apostamos nossas vidas, nossa honra, nossa cara? Como questionar o que nos sustentou sem entrar numa profunda crise de identidade? Como fugir das grades da Verdade Absoluta sem cair na depressão do desencantamento? Somos loucos por acaso? Como evitar perder o rumo do sentido das próprias escolhas?


Descartes tem a resposta.


Apesar desse moço ter morrido em 1650, ele é super atual. Vinha de um tempo em que todo o conhecimento precisava caber nos textos dos teólogos. A ciência precisava prestar contas à teologia para ser validada. No tempo de Descartes estava ficando incômodo ter que voltar no tempo e encontrar um texto religioso para justificar porque hoje se pensava assim e assado. Como poderia o conhecimento avançar se precisava demonstrar que estava enquadrado nas Verdades do Alto que já haviam sido declaradas?


Com a “dúvida metódica”!


A dúvida metódica é uma forma inteligente de duvidar. Por ela, eu não jogo fora todo o passado (inclusive o que eu pensava ontem), porque isso é coisa de adolescentes. De repente tudo o que o papai falou não vale mais nada. Não, Descartes era muito mais do que isso. Ele enxergava mais longe.


Vamos colocar em parêntesis as nossas Verdades e vamos começar a olhar com olhos novos, límpidos as coisas. O que a minha razão me diz? Olhe direito: pense com a sua cabeça. O que você vê? Tente usar só o seu raciocínio, não as lentes da “Verdade”. Olhe... O que vê? Vá exercitando seu pensamento, sua visão, sua compreensão autônoma das coisas...


E foi assim que surgiu a Idade da Razão.



Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321


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