• Adriana Tanese Nogueira

MANIQUEÍSMO E COMPLEXIDADE DA VIDA

Maniqueísta é aquele pensamento que funciona por opostos: uma coisa é branca ou preta, boa ou ruim. Esta abordagem aos problemas não sabe enxergar as nuanças e, mais do que isso, não se dá conta da complexidade da realidade.

Interessantemente, o conceito do maniqueísmo tem origens no mundo religioso. De fato, o maniqueísmo foi uma religião fundada pelo profeta iraniano Mani (216-277) durante o Impero sasanide (século III). Mani pregava uma elaborada cosmologia dualística que descreve a luta entre o bem e o mal representados o primeiro pela luz e pelo mundo espiritual e, o segundo, pelas tevras e pelo mundo material. Segundo Mani, por um contínuo processo realizado dentro da história humana, a luz é gradualmente removida do mundo material e devolvida àquele espiritual do qual provém. Mundo este que influencia constantemente todos os aspectos da existência e do comportamento humanos.

Interessante, não? A ideia viralizou: há a luz e as trevas. Uma nada tem a ver com a outra. A luz pertence ao espiritual, as trevas ao material. A “cura” vem quando se devolve a luz ao mundo do qual vem o que significa separar espírito e material com sempre mais “exatidão”.

A partir dessa origem, que já tem uns bons mil e setecentos anos de vida, a ideia de maniqueísmo serviu para designar de forma figurativa a tendência a adotar atitudes e comportamentos rígidos tanto no plano das ideologias como naquele da vida prática. Assim o pensamento maniqueísta contrapõe de forma dogmática princípio ou posições que considera inconciliáveis, como se fossem expressões do bem e do mal, do verdadeiro e do falso.

A consequência desse tipo de pensamento é a morte da atitude ao pensar. Uma vez que pensar é raciocinar em torno de uma ideia, experiência, vivência, sem – repito, sem – chegar a conclusões apressadas pois o intuito é o de compreender (no lugar de racionalizar e “acalmar” as coisas), então a atitude a dividir de forma dogmática a realidade em opostos incompatíveis assassina a complexidade da realidade e da psique humana.

O maniqueísmo surgiu no século III d.C. e, assim como na história humana ele se situa no início de um longo percurso de reflexões filosóficas e teológicas que seguiram, também na biografia individual, ele emerge no início da vida, quando a criança considera “má” a mãe que não lhe dá todas as guloseimas que ela deseja. O estágio maniqueísta evolui graças somente à educação e ao desenvolvimento do hábito de discutir ideias. Hábito este que hoje está mais do que nunca em desuso. A moda é não pensar, não parar para refletir. Assim como alguém folheando as fotos de potenciais partners românticos no Tinder, folheia-se pensamentos na mídia social sem se dar o tempo para ir mais fundo e conferir sua lógica e aplicação. E o pior é quando esses “pensamentos” são adotados como bandeiras sem qualquer background intelectual para sustentá-los.

Devo admitir que é difícil exercitar a tolerância diante da manifestação cândida e autoritária dos que acreditam estar expressando verdades indiscutíveis que nada mais são que resultado de sua miopia intelectual e falta de musculação cerebral. A crise, tempo de oportunidades mas também, antes, tempo da manifestação dos monstros coletivos e individuais, promove a emersão desse tipo de pessoas. Elas se agarram a um punhado de ideias que descobriram casualmente e a elas se vinculam como se fossem Saulo a caminho de Tarso tendo a revelação divina. A partir desse momento, se transformam em apóstolos da “verdade revelada” e a repetem com orgulho e certeza monolíticas. A convicção é tanto maior quando apoiadas por um grupo. O que garante a “verdade” são os outros que acatam o mesmo pensamento e não a lógica e o embasamento intrínsecos daquela “verdade”.

E descobrimos a fórmula para acorrentar o pensamento e fomentar o autoritarismo insano e ignorante: a supressão da complexidade da vida, do ser humano e da própria verdade.

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional Ser&Saber Consciente (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



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