• Adriana Tanese Nogueira

O VALOR DO DINHEIRO E O APEGO AO DINHEIRO

Várias vezes aconteceu comigo de observar que é frequente de as pessoas que menos têm em termos de dinheiro e posses, que aprenderam a levar suas vidas sem grandes gastanças, na simplicidade, são justamente as mais generosas. São essas pessoas que sabem se colocar no lugar do outro e entender suas necessidades sem que este outro precise verbalizar, precise pedir. São essas pessoas que não fazem caridade, pois sabem ser solidárias. Conhecem o significado da palavra solidariedade e encaram os outros não como potenciais inimigos que querem se aproveitar delas ou como pessoas cujas necessidades de sobrevivência “nada têm a ver com elas”, mas como outros seres humanos.

Ter aprendido a viver com pouco humaniza e garante uma enorme liberdade, desconhecida aos demais. Todos sabemos que vivemos no mundo do consumo o que em psicanálise se traduz como um mundo onde as vontades e os caprichos do ego precisam ser atendidos, e possivelmente “agora!”. Há reclamações por toda parte sobre essa realidade e muitos buscam o caminho da espiritualidade para superar esse “transtorno” dos tempos modernos, mas a vida real continua igual. O ego não abre mão de seus vícios porque ouviu uma palestra esclarecedora ou fez um retiro “profundo” porque o que está em jogo é um apego que escapa a essa “consciência” a qual, inclusive, serve para melhor camuflá-lo. Que o digam os alcoolistas!

Apego ao dinheiro nada tem a ver com reconhecer o valor do dinheiro. Ao contrário, é um vício que sustenta neuroses bem escondidas e protegidas da tomada de consciência, por estarem em sintonia com aquelas dos nossos tempos. Dar valor ao dinheiro corresponde a não desperdiçar dinheiro pois como um grande renegado disse, o dinheiro ganho corresponde ao tempo de vida que dedicamos a consegui-lo e a vida é maior do que trabalhar pelo dinheiro. A vida haveria de ser um processo criativo e criador – que é trabalho produtivo que nada tem a ver com acumulação de dinheiro.

O apego ao dinheiro, assim como o apego à bebida alcoólica (tema que ocupou bastante meus estudos e me levou a escrever o livro “O Vírus do Alcoolismo. Quando o amor encontra a sua sombra”, desumaniza as relações, enrijece seus fiéis em preconceitos, encolhe o cérebro e fecha o coração. O outro e as situações se tornam meios: meios para ganhar dinheiro ou meios para beber. Na corrida ao dinheiro (ou ao copo cheio) se esquece de viver, de cheirar as rosas pelo caminho, de encantar-se com o novo e o desconhecido, de abrir o peito à coragem de ser, sem muletas.

Os que aprenderam a viver com pouco têm outra vantagem sobre os demais: eles têm fé. Sabem, por experiência vivida e não por mantras recitados, que é “um dia após o outro”, que a vida reserva muitas surpresas sobre as quais não temos controle, algumas boas outras desafiadoras. O sacrifício de alguns bens e mimos não lhes pesa porque têm outras outras felicidades, outras serenidades.

Viver para ganhar dinheiro e, nas entrelinhas dessa ansiedade, fazer algo “de bom” para embaçar o desconforto e a consciência, leva inevitavelmente ao medo de perder, potencializando o apego num círculo vicioso sempre mais neurótico, onde o grande sacrifício que se cumpre – o pior e mais triste de todos – é a liberdade de ser.

Possuir coisas e não possuir a si próprios é o destino dos apegados ao dinheiro.

A serenidade só pode se encontrar na simplicidade.

Simplicidade física, mental, emocional.

Simples não quer dizer pobre. Humilde também não quer dizer pobre, como erroneamente se entende no Brasil.

O simples só chega depois que superamos o complicado.

E o complicado hoje é aprender a se desapegar do dinheiro para fazer a humanidade evoluir para novos patamares e criar assim um mundo humano em harmonia com o resto das criaturas.

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional Ser&Saber Consciente (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



Jess @ Harper Sunday

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Responsável: Adriana Tanese Nogueira

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