• Adriana Tanese Nogueira

VOCÊ É MÃE OU ESPOSA DE SEU MARIDO?

Vamos explicar... A mãe é, basicamente, aquela pessoa que nutre e atende aos outros. No plano material, ela serve, é aquela que prepara o prato e entrega na cama, por assim dizer. Ela nutre, alimenta, sustenta. Tem uma gama aqui de um mínimo a um máximo, mas no geral, a mãe é a cuidadora de todos: saúde, comida, casa e roupa lavada. No plano simbólico, a mãe é a mediadora dos conflitos. É aquela que passa a mão na tua cabeça, que diz que vai ficar tudo bem, que te explica por que você teve o pesadelo, que te trata quando você está com dor de estômago. Quando bebê te mantém em vida e cuida de você; quando grande, te dá suporte emocional, encorajamento e apoio.

Este é o papel do Ser Mãe. Algo relacionado ao Arquétipo da Mãe. Quando este papel te tomou por demais, é hora de recuar. E para recuar, o único jeito de equilibrar a situação, é começar a pôr você na balança, o que não significa tirar do outro. Se a mulher se identificar com este estereótipo, ela acha que só pode amar via o estereótipo e o outro confirma com suas expectativas.

Em termos psicanalíticos, isso significa que ela cumpre a função de satisfazer as necessidades imediatas de cada membro da família: o outro vem antes dela, sempre. Ela também é quem media as tensões emocionais de cada um no grupo, sendo o “amortizador” da família, quem acalma cada um individualmente e as relações entre os membros, e desta forma mantém o sistema funcionando.

Assim, para manter um casamento, uma mulher geralmente acaba fazendo com que todo e qualquer conflito seja acalmado antes mesmo que estoure ou se manifeste. Desta forma, ela acha que está cuidando do relacionamento, mas na verdade ela está “criando um monstro”. Ao calar o que ela pensa e sente, ao se sacrificar em nome da relação ela está permitindo que o outro ganhe espaço com suas necessidades e vontades. Quanto mais um recua, mais ou outro avança. Este não é necessariamente um processo consciente, aliás, é geralmente bem inconsciente. Na balança geral dos equilíbrios na casa, por osmose, o grupo se ajusta. Este processo é automático. Deixado a si próprio vai significar em 95% ou mais dos casos que ela vai se segurar de dizer, de querer, de pensar, de sentir, de escolher. Numa peça teatral imaginária, vamos dizer que ela entrará em cena 5 minutos e ele estará ocupando os outros 55 minutos de palco. Nesses 55 minutos, ela não estará sentada assistindo a peça! Pelo contrário, ela estará trabalhando nos bastidores para a peça sair bonita. Cuidará de todos os detalhes e será a primeira a aplaudir o seu querido – o qual receberá todos os louros e, com o tempo, ficará bem confuso porque vai achar que o sucesso dele se deve exclusivamente a si próprio. Jamais irá reconhecê-la, muito menos em público e, confortável no trono irá simplesmente viver assim... Quem já viu alguém descer espontaneamente do trono? Eu não.

Por que ela faz isso? Por tolice? Não. Porque ela ama e porque ela está “programada” a cuidar da relação. A mulher é biologicamente a responsável pela perpetuação da espécie. O macho faz a performance dele, ela escolhe o melhor e faz a carruagem da vida andar. Acontece que no mundo humano as coisas precisam mudar um pouco de música. As mulheres hoje assumiram outra tarefa também: a de serem a perpetuadoras de vida inteligente.

Por isso, a mulher hoje não pode ser cúmplice de um sistema que anula a ela como sujeito, como protagonista da vida, pessoal e coletiva e mantém o homem numa situação infantil. No lugar dele aprender a ser homem maduro, ele continua sendo um bebezão que a mulher deve cuidar enquanto muitas vezes cuida dos bebês reais que ela pariu. Como conta o sonho de uma mulher em análise, a mãe lhe diz que vai adotar um menino. O pai da sonhadora sempre quis um filho menino, que se chamaria Sérgio. Assim, esperaram por um primeiro Sérgio que não veio, nasceu a sonhadora. Esperaram por um segundo Sérgio que não veio, nasceu a irmã da sonhadora. Esperaram por um terceiro Sérgio que não veio, nasceu a irmã caçula da sonhadora... E a mãe da sonhadora se separou do pai. No sonho, essa mãe vai adotar um menino e convida a filha a ir junto. Chegando ao local, a sonhadora vê um homem. O bebê era um homem. Surpresa, a sonhadora pergunta: mas quantos anos tem esse bebê? Resposta: 37. Mulheres adotando homens no formato de bebês porque fazem tudo por e para eles... Eles não viram Homens, elas reclamam e continuam mães...

Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional de Educação Psicológica e Espiritual (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

Photo by Joseph Kellner on Unsplash



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